Lancei o repto à Paula H...
E ela acedeu.
A nossa querida amiga decidiu partilhar connosco um dos momentos mais importantes e felizes da sua vida.
O Nascimento do 1º filho.
Pedi-lhe um relatório do parto e ela fez mais do que isso...
Enviou-me o relato da sua amiga e Doula Ângela, que a acompanhou durante esse momento mágico.
A Paula, como todas sabemos, é um ser muito especial.
Uma brava guerreira que eu guardo sempre como exemplo de preseverança e coragem.
De certa forma, ela é a própria luz ao fundo do túnel dos valores e convicções.
Eu, tal como vós... adoro-a.
E fico cheia de orgulho por tê-la por perto.
Como sabem a Inês nasceu em casa, como a Paula sempre desejou, num parto natural, como só a Paula poderia proporcionar-lhe.
A nossa amiga contou com a ajuda de uma enfermeira parteira (Ana Ramos) e com a doula Ângela que a orientou e acompanhou em todo o processo da gravidez e parto.
Quem quiser saber mais sobre o papel e a filosofia das doulas, visite por favor o site: www.doulasdeportugal.org
Só me resta agradecer à Paula H. o inestimável contributo que deu a este nosso blog.
Estendo o meu obrigada à Ângela por partilhar connosco o relato que enviou para a lista de discussão das doulas (Associação de Doulas de Portugal).
Vamos então ao que interessa.
Boa leitura!
«Olá a todas!
Eu prometi que regressaria em breve com um relato de acompanhamento!
E cá estou. Uma das minhas maiores amigas (já nos conhecemos há 13 anos) que queria muito ser mãe, chegou a dizer-me que hesitava em engravidar por ter medo do parto... Mas isso foi na minha outra vida - a vida A.D.(Antes de ser Doula).
Depois de eu ter feito a formação foi a minha fã nº 1, sempre ansiosa pelos relatos dos partos que eu acompanhava, ganhando de dia para dia confiança em si e no seu corpo e começando a ansiar ainda mais pela sua vez!
O acompanhamento da gravidez foi extraordinário! Ver uma mulher desabrochar daquela forma, conquistar os seus medos um a um.
Fazer frente às pessoas que punham em causa as suas decisões (incluindo a Drª Radmila) e acabando por decidir ter um parto em casa, foi um privilégio extraordinário!
No sábado pelas 10h e pouco da manhã ligou-me a dizer que estava a perder um pouco de líquido. Tranquila, perguntou-me se podia ir trabalhar (tinhamos conversado sobre a rotura de bolsa e não a assustava nem um bocadinho!).
Na véspera tinha tido algumas contracções irregulares, mas todo o dia. No sábado tinham parado. Aconselhei-a a ligar à parteira (só para ela saber) e a seguir fazer o que lhe apetecesse, aquilo que se sentisse bem a fazer!
Foi trabalhar ao meio-dia e pelas 16h tivemos uma conversa engraçada: ela estava à espera que o marido a fosse buscar ao trabalho para irem passear e de repente, misteriosamente 4 elementos da família vão ter com ela ao trabalho. E ela sem dizer o que se passava, mas sobretudo a mãe com muitas suspeitas de que a Inês estava a caminho...
Ela tinha optado por partilhar com a mãe dela o irmão, os sogros e o cunhado que o parto seria em casa, depois de muito reflectir e ponderar.
Foi um alívio grande pra ela sentir que as pessoas, apesar de algumas dúvidas respeitavam a opção deles!
A parteira foi a casa dela pelas 19h (estava eu no teatro) só para ouvir o bebé. Foi-se embora e ficaram os dois!
O pai ligou-me às 3h e meia da manhã a dizer que ela já tinha algumas contracções que tinha dificuldade em gerir (embora o intervalo entre elas ainda fosse um pouco irregular). Aconselhei mais uma vez a informar a parteira (gato escaldado...) e que lhe dissessem que eu ligaria para ela quando chegasse ao pé deles.
Sugeri-lhe um banhinho e fui ter com eles. Cheguei por volta das 4h da manhã. Ela estava mais tranquila com o chuveiro em cima dela e disse-me que tinha sido uma excelente ideia. Disse-lhe que, provavelmente, quando saísse do banho as coisas iriam acelerar um pouco.
Ela acabou por sair da banheira pouco depois e as minhas previsões confirmaram-se: as contracções intensificam-se numa bela noite de lua cheia com alguns relâmpagos e trovões.
Percebi que ela estava com muita dificuldade em desligar o neocortex.
Depois vai até ao futuro quarto da filha e estou ao seu lado quando ela faz uma pequena viagem interior.
Sugiro ao pai que peça à parteira para vir. Volta para o seu quarto e continuo a percebê-la demasiado preocupada com várias coisas.
Tapo-lhe os olhos durante as contracções, não digo nada e sinto uma ligeira melhoria...
A parteira chega por volta das 6h da manhã e ouve o coração do bebé. Está tudo bem e as contracções começam a aproximar-se bastante umas das outras e a ser bastante longas.
Passado algum tempo ela começa a ficar muito desesperada.
Não sabe o que há-de fazer, pergunta o que irão os vizinhos pensar dos gritos que dá, enfim começa a duvidar de si própria...
Eu percebo que o fim do parto está próximo, mas sinto também que preciso de alguma coisa que a faça desviar o pensamento durante uns instantes.
Ocorre-me novamente a água. Com dificuldade lá vai ela para a banheira...
Mas o desespero é enorme e acaba por atirar com o chuveiro.
Eu ajudo-a a sair da água enrolada numa toalha. Olho-a nos olhos e digo-lhe que ela vai ser capaz.
Ela senta-se na beira da banheira, olha para mim e pergunta-se se é normal o que sente.
Eu pergunto: - O quê ? e ela diz que tem muita vontade de fazer força.
Eu respondo-lhe que faça o que tem vontade.
Ela faz bastante força sentada na banheira.
Depois eu vejo a transformação à minha frente.
Olha o marido nos olhos e diz: "Acho que agora é que a Inês vai mesmo chegar!".
Decide sentar-se na sanita e ficamos a duas sentadas a agarrar os antebraços uma da outra contracção após contracção.
O pai e a parteira no quarto a observar em silêncio.
Depois ela põe-se em pé e vai até ao quarto. Apoia-se no marido e tem mais algumas contracções.
E vejo a cabeça a coroar e uma "coisa"branca que não percebo bem o que é... e Poc!
Sai uma cabeça e um braço ao mesmo tempo!
A parteira segura a bebé (que não precisou de mais nenhuma contracção para sair) que começa a chorar ainda com os pés lá dentro!
Fabuloso! Fantástico! Mas sabem o melhor?
O pai nasceu exactamente na mesma posição (de super-homem, como diz a mãe).
E esta bebé pesa 4kg e 400!!
A parteira (a Ana Ramos) foi fabulosa!!
Não fez nada a não ser assegurar à grávida que podia fazer o que quisesse, e segurar na bebé quando ela saiu! E depois, claro reparar os estragos - uma laceração um pouco grande.
Ainda estou meia atordoada, apesar de já terem passado 2 dias!
Estou muito feliz!
Bjs Ângela»






